Todo o mundo já sabe que o must é a sustentabilidade e o pensamento ecológico. Hoje todos tem uma maneira diferente de ajudar o planeta, seja reciclando o lixo, usando ecobags, andando de bike, entre outras coisas.
Porque no casamento não seria diferente? Encontrei essa matéria muito interessante no site
JOSÉ GABRIEL NAVARRO
MARISTELA LINO CARETTA
MÔNICA CASANOVA
Quando o assunto é casamento, nada mais indicado para a noiva que a cor branca, certo? Mas o verde está, aos poucos, tomando conta das uniões civis e religiosas, não na cor do vestido, mas no conceito. Já existe uma série de serviços especializados na confecção de materiais ecologicamente corretos para as cerimônias. O surgimento de novidades no mercado reflete a maior conscientização entre os casais: há mais gente procurando tornar o matrimônio, além de uma festa inesquecível, um selo de
compromisso
com o planeta.

"A procura maior por esses produtos está consolidada", diz Raquel Coelho Ferreira, administradora da De Papel Reciclado Ateliê, que faz embalagens de presentes e convites a partir de papel artesanalmente reciclado. "Nossa clientela é formada por pessoas geralmente cultas, que defendem a causa ecológica e apreciam a beleza do papel reciclado. São noivos buscando um diferencial para seu casamento", contou.
O preço dessa opção, porém, não costuma sair barato. Raquel não revela o quanto cobra por en
comenda. Os interessados devem apresentar seu pedido no site da marca (
www.depapelreciclado.com.br) e pedir um orçamento. Mas é fato que o custo fica acima da média. "Os papéis são produzidos de maneira artesanal, folha por folha, levam dias para ficarem prontos, porque algumas fibras de cana ou bananeira são cozidas e lavadas para serem inseridas no material. A secagem também é natural, e à sombra, o que aumenta o prazo de entrega", explica Raquel.
Trabalho em evolução - Nem todos estão dispostos a pagar mais para "esverdear" a cerimônia de casamento. Uma estratégia para garantir que pelo menos parte da freguesia escolha produtos ecologicamente sustentáveis é oferecê-los juntamente
com os serviços tradicionais. É o que faz a Flor & Forma, ao prometer transformar as plantas usadas na decoração de eventos matrimoniais em adubo orgânico. A empresa calcula a quantidade de carbono que emite em cada trabalho e planta as árvores necessárias para manter o ambiente natural balanceado. Apenas quando o cliente pede.
Maria do Carmo Simon, dona do negócio, reconhece que o esforço extra para alinhar as realizações da empresa à causa ambiental demanda tempo e dinheiro. "É mais trabalhoso, mas o sentimento de dever cumprido faz valer a pena", diz. "É uma mudança que levará meses.
Como o conceito de sustentabilidade envolve inúmeros fatores, consideramos que a implementação do serviço é um trabalho em evolução",
completa.
Ela também não vê no segmento tanta procura por novidades verdes. "Apesar de o conceito de 'green wedding', ou casamento sustentável, já ser muito popular nos EUA e na Europa, aqui no Brasil as noivas ainda não se interessam tanto", avaliou Maria do Carmo.
A empresária admite, por outro lado, que a procura por organizações
comprometidas
com a natureza vem aumentando. "Nunca analisamos a influência da preocupação do meio ambiente no nosso crescimento. No entanto, esse fator terá grande influência no crescimento de qualquer empresa brasileira. Quanto mais educados os consumidores, mais eles exigirão”, acredita.
Por enquanto, o apelo da sustentabilidade não integra nem mesmo o esquema de divulgação da Flor & Forma. Mas não por descrença da proprietária. "A existência de um conceito de casamento sustentável me in
comoda um pouco. Acho que todos deveríamos ser mais conscientes em nossas escolhas do dia-a-dia, e que a elaboração de eventos
com perfis mais sustentáveis deveriam ser consequência disso", afirmou Maria do Carmo. "Eu, enquanto consumidora, me considero razoavelmente exigente. E acho que a mudança no
comportamento das empresas só acontecerá por pressão de quem
compra". Jovens casais parecem pensar de modo parecido.
Sem abrir mão da beleza - A bióloga Priscila Torres Lourencetti, de 32 anos, se casou
com o administrador Felipe Lourencetti, 25, em outubro de 2009, na Igreja Sagrada Família, a Matriz de São Caetano. Celebraram
com amigos e familiares num bufê em Santo André. Eles
começaram a se preparar um ano e meio antes da cerimônia, e nenhum produto ou serviço ecologicamente correto foi escolhido pelo casal. Mas a vontade de ter tido essa opção na época do matrimônio ainda permanece.
"Pegamos algumas indicações
com amigos,
comunidades da internet e participamos de diversos workshops da região do ABC", disse Felipe. "Se estivesse dentro do padrão de nossas escolhas, daríamos preferência para iniciativas que respeitem a natureza",
completou.
Como a ideia de união significa planejar um futuro
com outra pessoa, a preocupação
com a possibilidade de um colapso ambiental alimenta o desejo por hábitos de consumo conscientes. "Seria uma forma de contribuir
com o nosso meio ambiente, mesmo que pouco, perto da atual situação do nosso planeta", considerou o noivo.
A esposa partilha da mesma opinião. Só não deixa de lado o que considera de bom gosto. "De alguns itens do casamento —
como o vestido de noiva, por exemplo —, eu não abriria mão da beleza, até pela tradição, mas outros produtos,
como os convites, que geram um desperdício enorme de papel, poderiam ser substituídos", afirmou Priscila.